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Cãibra de madrugada, pálpebra tremendo, cansaço que não passa, sono picado. Muita gente chega no balcão já desconfiando: "acho que me falta magnésio". E aí vem a confusão: bisglicinato, dimalato, treonato, citrato, óxido. Qual é o certo?
Os tipos de magnésio são o mesmo mineral ligado a moléculas diferentes, e essa ligação muda a absorção, a tolerância no intestino e o que os estudos já testaram. Em estudos pequenos, as formas que se dissolvem bem, como o citrato, foram mais absorvidas que o óxido. Não existe um "melhor para todo mundo": existe a forma certa para o seu caso.
Por que o magnésio faz tanta falta?
O magnésio trabalha como ajudante de centenas de reações no corpo: produção de energia, contração e relaxamento dos músculos, nervos, controle do açúcar no sangue e formação dos ossos.
Quando ele está baixo, o músculo tem mais dificuldade para relaxar. É um dos motivos pelos quais cãibra e tremor de pálpebra aparecem nas conversas sobre magnésio.
Segundo o NIH, os grupos com mais risco de ter pouco magnésio são:
- idosos;
- pessoas com diabetes tipo 2;
- quem tem doenças do intestino, como doença de Crohn e doença celíaca, ou fez cirurgia no intestino;
- pessoas com dependência de álcool.
Alguns remédios também puxam o magnésio para baixo: diuréticos de alça e tiazídicos, e o omeprazol e parecidos quando usados por muito tempo (geralmente mais de um ano).
Por que a forma do magnésio importa?
Pense no magnésio como um passageiro e na molécula ligada a ele como o carro. Alguns carros entram fácil no intestino, outros ficam parados no caminho.
O NIH resume assim: formas que se dissolvem bem em líquido tendem a ser absorvidas de forma mais completa. Estudos pequenos mostraram que aspartato, citrato, lactato e cloreto foram mais absorvidos que óxido e sulfato.
E tem outro ponto que pouca gente sabe: no rótulo, o que importa é o magnésio elementar, ou seja, quanto de magnésio de verdade existe naquela quantidade de sal. Cada forma tem uma proporção diferente.
Diferença entre os tipos de magnésio
Citrato de magnésio
Magnésio ligado ao ácido cítrico. Num estudo randomizado e duplo-cego de 2003, publicado na Magnesium Research, o citrato foi mais biodisponível que outras preparações testadas. Ele tem um efeito conhecido de soltar o intestino em algumas pessoas, o que pode ser bom ou ruim, dependendo de quem toma.
Óxido de magnésio
Tem muito magnésio por grama, mas se dissolve mal. Nos estudos comparativos, costuma ser menos absorvido. Também é usado pelo efeito laxante.
Bisglicinato (ou glicinato) de magnésio
Magnésio ligado a duas moléculas do aminoácido glicina, formando um quelato. Ele é muito procurado por quem tem intestino sensível, e o relato comum é de boa tolerância. Mas sendo honesto: estudos comparando diretamente o bisglicinato com outras formas, em humanos, ainda são poucos e pequenos.
Dimalato (malato) de magnésio
Magnésio ligado ao ácido málico, uma molécula que participa da produção de energia nas células. Por isso costuma aparecer em conversas sobre cansaço e dor muscular. A evidência clínica direta para essa forma ainda é limitada.
Treonato de magnésio
Magnésio ligado ao ácido treônico. Ficou famoso por um estudo de 2010 na revista Neuron: em ratos, ele aumentou o magnésio no cérebro e melhorou aprendizado e memória, inclusive em animais idosos. É um estudo forte, mas em animais. Os dados em humanos ainda são limitados, e ele não é a forma mais indicada quando o objetivo é só repor o magnésio do corpo.
Tabela de bolso
| Forma | Ponto forte | Cuidado |
|---|---|---|
| Citrato | Boa absorção em estudos comparativos | Pode soltar o intestino |
| Óxido | Muito magnésio por grama | Absorção menor; efeito laxante |
| Bisglicinato | Boa tolerância relatada | Poucos estudos comparativos |
| Dimalato | Ligado à produção de energia | Evidência clínica limitada |
| Treonato | Estudado para cérebro (em ratos) | Dados humanos limitados |
Por que dose, forma e qualidade decidem o resultado?
Aqui está o mecanismo que muita gente ignora: o que funciona é o magnésio que chega, e não o que está escrito no pote. A forma decide quanto atravessa o intestino. A dose decide se você vai sentir efeito ou só diarreia. E a qualidade da matéria-prima decide se o sal é mesmo o que diz ser. Expliquei como a farmácia confere isso em qualidade na manipulação: o que a Anvisa exige.
Magnésio tem limite e interação?
Sim.
- Limite: o NIH define um limite superior de 350 mg por dia de magnésio vindo de suplementos e remédios para adultos. Isso não inclui o magnésio da comida.
- Efeito colateral: dose alta costuma dar diarreia, às vezes com enjoo e cólica.
- Antibióticos (tetraciclinas e quinolonas): o magnésio pode se ligar a eles. O antibiótico deve ser tomado pelo menos 2 horas antes ou 4 a 6 horas depois.
- Remédios para osteoporose (bisfosfonatos, como alendronato): separar por pelo menos 2 horas.
Outras combinações que pedem horário certo estão em suplemento e remédio juntos.
Quando procurar um médico
- Se você tem doença nos rins: o corpo pode não conseguir eliminar o excesso de magnésio.
- Cãibras frequentes, palpitação ou fraqueza muscular forte.
- Uso de diurético ou omeprazol por muito tempo, para avaliar a dosagem no sangue.
Magnésio costuma andar junto com outros nutrientes nas conversas de consultório. Veja também vitamina D: por que tanta gente tem falta e ômega 3: EPA, DHA e qualidade.
Resumo rápido
- Os tipos de magnésio são o mesmo mineral ligado a moléculas diferentes.
- Formas que se dissolvem bem (citrato, cloreto, lactato) foram mais absorvidas que óxido em estudos pequenos.
- Bisglicinato: boa tolerância relatada, poucos estudos comparativos.
- Treonato: estudo forte em ratos, dados humanos ainda limitados.
- Limite de suplemento para adultos: 350 mg/dia (NIH).
- Interage com antibióticos e remédios para osteoporose; atenção aos rins.
Perguntas frequentes
Qual o melhor tipo de magnésio?
Não existe um melhor para todo mundo. As formas que se dissolvem bem, como citrato, lactato e cloreto, foram mais absorvidas que óxido e sulfato em estudos pequenos. A escolha depende do objetivo, do intestino e dos remédios que a pessoa usa.
Magnésio treonato é melhor para a memória?
O estudo mais conhecido, de 2010 na revista Neuron, foi feito em ratos e mostrou aumento do magnésio no cérebro e melhora de memória. Em humanos, os dados ainda são limitados.
Magnésio dá diarreia?
Pode dar. Segundo o NIH, doses altas de magnésio de suplementos costumam causar diarreia, às vezes com náusea e cólica.
Magnésio interage com remédio?
Sim. Ele pode atrapalhar a absorção de alguns antibióticos e de remédios para osteoporose, e alguns diuréticos e omeprazol de uso longo podem baixar o magnésio. Os horários precisam ser orientados.
Referências
- NIH Office of Dietary Supplements, 2026 — Magnesium: Fact Sheet for Health Professionals
- Walker AF et al., Magnesium Research, 2003 — Mg citrate found more bioavailable than other Mg preparations in a randomised, double-blind study
- Slutsky I et al., Neuron, 2010 — Enhancement of learning and memory by elevating brain magnesium
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