Neste artigo · 10 tópicos
- Por que a mesma planta varia tanto?
- O que a Anvisa chama de marcador?
- Planta em pó, extrato e extrato padronizado: qual a diferença?
- O que os estudos mostram quando não há padronização?
- Por que dose, forma e qualidade do extrato importam?
- E na farmácia de manipulação?
- O que perguntar sobre um extrato de planta?
- Natural é sempre seguro?
- Resumo rápido
- Perguntas frequentes
Duas pessoas tomam "a mesma planta". Uma sente diferença, a outra não sente nada. Muita gente conclui que a planta não funciona. Às vezes, o problema nem é a planta. É o que estava dentro da cápsula.
Extrato padronizado é o extrato de planta produzido e conferido para ter um teor definido de uma substância de referência, o marcador. É isso que faz um lote ser comparável ao outro e permite comparar o que você toma com o que foi usado nos estudos. Sem padronização, a quantidade de ativo pode variar muito, mesmo com o mesmo nome no rótulo.
Por que a mesma planta varia tanto?
Planta é ser vivo. O teor das substâncias muda com:
- o solo e o clima onde cresceu;
- a época da colheita;
- a parte usada (folha, raiz, flor, casca);
- a secagem e o armazenamento;
- o método de extração (água, álcool, solvente, temperatura).
Duas raízes de cúrcuma, por exemplo, podem ter quantidades bem diferentes de curcumina. O mesmo vale para a laranja moro, cuja cor e cujos pigmentos mudam com a safra. Falo disso em cúrcuma e curcumina: o que os estudos mostram.
O que a Anvisa chama de marcador?
A RDC 26/2014, que trata do registro de fitoterápicos, define marcador como a substância ou classe de substâncias (por exemplo, alcaloides, flavonoides, ácidos graxos) usada como referência no controle de qualidade da matéria-prima vegetal e do fitoterápico, de preferência com relação com o efeito terapêutico.
E ela separa dois tipos:
- Marcador ativo: quando está ligado à atividade terapêutica do conjunto de substâncias da planta.
- Marcador analítico: quando essa ligação ainda não foi demonstrada, mas a substância serve para controlar a qualidade.
A mesma norma define que medicamento fitoterápico precisa ser caracterizado pela constância da sua qualidade. Ou seja: o que vale para um lote tem que valer para o próximo.
Planta em pó, extrato e extrato padronizado: qual a diferença?
| Tipo | O que é | Variação de ativo |
|---|---|---|
| Droga vegetal (planta seca em pó) | A planta ou parte dela, seca e triturada | Segue a variação natural da planta |
| Extrato (derivado vegetal) | Produto da extração da planta, que concentra substâncias | Depende do processo |
| Extrato padronizado | Extrato ajustado e conferido para um teor definido de marcador | Controlada, lote a lote |
Nenhum é "proibido" ou "errado". Mas, quando o objetivo é reproduzir o que os estudos mostraram, o extrato padronizado costuma ser o caminho mais confiável.
O que os estudos mostram quando não há padronização?
O caso da erva-de-são-joão
Em 2002, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia analisaram oito marcas comerciais de erva-de-são-joão (Hypericum perforatum), publicado no American Journal of Health-System Pharmacy. O teor de hiperforina, uma das substâncias ligadas ao efeito, variou muito entre as marcas. Segundo a cobertura do estudo, só duas tinham quantidade considerada suficiente para efeito. Os autores pediram que os fabricantes padronizassem e informassem esse teor no rótulo.
Produtos que nem tinham a planta do rótulo
Em 2013, um estudo publicado na BMC Medicine testou 44 produtos de plantas de 12 empresas da América do Norte, usando DNA. Encontrou substituição de espécie em cerca de um terço das amostras e plantas não declaradas em muitos produtos.
É justo contar o outro lado: entidades do setor e laboratórios criticaram o método, dizendo que o DNA não é bom para identificar extratos, porque o processo de extração pode destruir o material genético. A lição que fica, mesmo com a crítica, é que identificar a planta e medir o marcador precisa ser parte do controle.
Por que dose, forma e qualidade do extrato importam?
O mecanismo é simples: o efeito depende de quanto marcador chega até você. Se o extrato não é padronizado, a mesma cápsula pode ter muito ou quase nada. Se a parte da planta é outra, o perfil de substâncias muda. E se a dose não foi pensada para o seu caso, nem o melhor extrato resolve.
E na farmácia de manipulação?
A RDC 67/2007 exige que a farmácia compre de fornecedores qualificados, receba certificado de análise de cada lote e faça testes na chegada da matéria-prima. Na prática, um bom certificado de extrato traz o nome científico da planta, a parte usada e, quando padronizado, o teor do marcador. Explico o resto das exigências em qualidade na manipulação: o que a Anvisa exige.
O que perguntar sobre um extrato de planta?
- É extrato padronizado? Em qual marcador e qual teor?
- Qual a parte da planta usada?
- O lote tem certificado de análise?
- O nome científico da planta está certo no certificado?
Natural é sempre seguro?
Não. Plantas têm substâncias ativas. A própria erva-de-são-joão é conhecida por interagir com vários medicamentos, entre eles a pílula anticoncepcional, como mostro em suplemento e remédio juntos. Antes de usar qualquer fitoterápico, conte a quem prescreveu e ao farmacêutico todos os remédios que você toma. Para entender as diferenças entre manipular e comprar pronto, veja manipulado ou industrializado.
Quando procurar um médico
- Se você usa anticoagulante, antidepressivo, anticoncepcional ou remédio para pressão e quer começar uma planta.
- Se está grávida ou amamentando.
- Se surgir qualquer reação diferente depois de começar.
Resumo rápido
- A mesma planta varia muito de lote para lote.
- Extrato padronizado tem teor definido e conferido de um marcador.
- A Anvisa define marcador ativo e marcador analítico (RDC 26/2014).
- Estudos já mostraram grande variação de ativo entre marcas sem padronização.
- Pergunte: marcador, teor, parte da planta e certificado do lote.
- Natural não quer dizer sem interação.
Perguntas frequentes
O que é um extrato padronizado?
É um extrato de planta produzido para ter um teor definido e conferido de uma substância de referência, chamada marcador. Isso permite que um lote seja comparável ao outro.
O que é marcador em fitoterapia?
Segundo a RDC 26/2014 da Anvisa, é a substância ou classe de substâncias usada como referência no controle de qualidade da planta e do fitoterápico, de preferência ligada ao efeito.
Planta em pó e extrato padronizado são a mesma coisa?
Não. A planta seca em pó traz a variação natural da planta. O extrato padronizado é processado e conferido para ter um teor definido do marcador.
Fitoterápico natural pode fazer mal?
Pode. Plantas têm substâncias ativas, com possíveis efeitos colaterais e interações com remédios. Por isso a orientação de um profissional é importante.
Referências
- Anvisa, RDC nº 26, de 13 de maio de 2014 — registro de medicamentos fitoterápicos e produtos tradicionais fitoterápicos
- De los Reyes GC, Koda RT, American Journal of Health-System Pharmacy, 2002 — Determining hyperforin and hypericin content in eight brands of St. John's wort
- Newmaster SG et al., BMC Medicine, 2013 — DNA barcoding detects contamination and substitution in North American herbal products
- NutraIngredients, 2013 — críticas da indústria e de laboratórios ao estudo de DNA barcoding
Linha de suplementos H9 Pharma
A H9 Pharma é a marca de suplementos alimentares do grupo H9, a mesma família da H9 Fórmula. Conheça a linha de suplementos da H9 Pharma. Suplemento alimentar não é medicamento e não substitui o tratamento indicado pelo seu médico.

