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Saúde da Mulher

Menopausa: 5 nutrientes que a ciência estuda e o que decepcionou

Calorão, osso mais fraco, músculo indo embora. Veja quais nutrientes a ciência mais estuda na menopausa e o que os estudos mostram de verdade.

MAPor Dra. Maria Angélica B. VillelaFarmacêutica · CRF-MG 48.515 6 min de leitura Revisado por farmacêutico
Mulher de 50 anos serena perto da janela
Mulher de 50 anos serena perto da janela. Imagem ilustrativa.
Neste artigo · 8 tópicos
  1. O que acontece no corpo na menopausa
  2. Cálcio e vitamina D: a dupla do osso
  3. Isoflavonas da soja e calorões: os dois lados
  4. Creatina, proteína e músculo
  5. Vitamina B12: atenção a quem usa remédios
  6. Por que dose, forma e qualidade importam
  7. Resumo rápido
  8. Perguntas frequentes

Acordar encharcada às 3 da manhã. Sentir o rosto pegar fogo no meio de uma reunião. Notar que o corpo mudou, que o sono piorou e que a disposição foi embora sem pedir licença.

Na menopausa, os nutrientes que a ciência mais estuda são o cálcio e a vitamina D (para o osso), as isoflavonas da soja (para os calorões), a creatina e a proteína (para o músculo) e a vitamina B12 (em quem usa certos remédios). Alguns têm evidência sólida; outros têm evidência dividida. Vou mostrar os dois lados.

O que acontece no corpo na menopausa

A menopausa é a parada definitiva da menstruação, quando os ovários reduzem muito a produção de estrogênio. O estrogênio não cuida só da reprodução. Ele participa do controle da temperatura, da saúde dos ossos, do músculo, da pele e até do humor.

Pense no estrogênio como um "gerente" que coordenava várias equipes do corpo. Quando ele sai, cada equipe sente de um jeito:

  • Termostato do cérebro desregulado: calorões e suor noturno.
  • Osso: o corpo absorve menos cálcio e perde osso mais rápido.
  • Músculo: a perda de massa muscular acelera.
  • Pele: fica mais fina e seca.

Entender esse mecanismo ajuda a entender por que cada nutriente entra na conversa.

Cálcio e vitamina D: a dupla do osso

O NIH explica de forma direta: a menopausa leva à perda óssea porque a queda do estrogênio reduz a absorção de cálcio.

Por isso a recomendação americana de cálcio muda com a idade:

Idade (mulheres) Cálcio por dia
19 a 50 anos 1.000 mg
51 anos ou mais 1.200 mg

Esse valor soma comida e suplemento. Leite, queijo, iogurte, sardinha com espinha e vegetais verde-escuros contam.

A vitamina D entra porque, segundo o NIH, ela é necessária para o intestino absorver o cálcio de forma ativa. Sem vitamina D suficiente, parte do cálcio passa direto. Por que tanta gente tem falta dela, mesmo com sol, está em falta de vitamina D.

Cuidado importante: o cálcio atrapalha a absorção do remédio de tireoide se tomado perto dele. Os horários estão no guia de suplemento e remédio juntos.

Isoflavonas da soja e calorões: os dois lados

As isoflavonas são compostos da soja que lembram, de longe, o estrogênio. Por isso foram muito estudadas para os calorões.

O lado a favor

Uma meta-análise publicada em 2012 na revista Menopause reuniu 19 estudos randomizados com isoflavonas extraídas ou sintetizadas. Comparadas ao placebo, elas reduziram:

  • a frequência dos calorões em cerca de 21%;
  • a intensidade dos calorões em cerca de 26%.

Os produtos com mais genisteína (uma das isoflavonas) foram mais de duas vezes mais potentes na frequência do que os com pouca genisteína. Ou seja: qual isoflavona e quanto dela fez diferença.

O lado contra

Em 2023, a Sociedade Norte-Americana de Menopausa publicou sua posição sobre tratamentos sem hormônio para calorões. Ela recomendou terapia cognitivo-comportamental, hipnose clínica e alguns remédios, e não recomendou produtos de soja nem suplementos e fitoterápicos para calorões.

Minha leitura: há sinal de benefício nas isoflavonas, mas modesto e dependente da composição. Não é para todo mundo e não substitui a conversa com o ginecologista.

Creatina, proteína e músculo

Depois dos 50, músculo é proteção contra quedas e perda de autonomia. A creatina mostra benefício mais consistente quando combinada com treino de força. Para osso, um estudo brasileiro de 2 anos com 200 mulheres na pós-menopausa não encontrou melhora na densidade óssea. Os detalhes estão no texto sobre creatina para mulheres depois dos 40.

Proteína suficiente na comida é a base de tudo isso, e também da pele. O que o colágeno faz ou não faz está no texto sobre colágeno.

Vitamina B12: atenção a quem usa remédios

Muitas mulheres nessa fase usam metformina (para diabetes ou pré-diabetes) ou omeprazol e similares. Segundo o NIH, os dois podem reduzir a absorção da vitamina B12. A falta de B12 dá cansaço, formigamento e esquecimento, sintomas que facilmente são confundidos com "coisa da menopausa". Vale pedir ao médico para dosar.

Por que dose, forma e qualidade importam

Repare num padrão: com isoflavonas, a composição mudou o resultado. Com cálcio, a forma e o horário mudam a absorção e a interação com remédios. Com creatina, o treino junto muda tudo. E cada mulher chega com um corpo, uma alimentação e uma lista de remédios diferentes.

Não existe uma receita pronta de menopausa que sirva para todas. Existe a avaliação do seu caso.

Resumo rápido

  • Na menopausa, a queda do estrogênio afeta temperatura, osso, músculo e pele.
  • Cálcio: 1.200 mg/dia depois dos 51 (comida + suplemento), segundo o NIH.
  • Vitamina D: necessária para absorver o cálcio.
  • Isoflavonas: cerca de 21% menos calorões em frequência e 26% em intensidade (19 estudos), mas não recomendadas pela Sociedade Norte-Americana de Menopausa em 2023.
  • Creatina: ajuda o músculo com treino; não melhorou o osso em estudo brasileiro.
  • B12: atenção em quem usa metformina ou omeprazol.

Quando procurar um médico

  • Sangramento depois de 12 meses sem menstruar.
  • Calorões que atrapalham o sono e o trabalho todos os dias.
  • Tristeza, ansiedade ou insônia que não passam.
  • Fratura com queda pequena ou perda de altura.
  • Histórico de câncer de mama antes de usar qualquer produto com isoflavonas.

Perguntas frequentes

Qual vitamina é boa para a menopausa?

As mais estudadas são o cálcio e a vitamina D, por causa da perda óssea. Depois dos 51 anos, a recomendação americana de cálcio para mulheres sobe para 1.200 mg por dia, somando comida e suplemento.

Isoflavona de soja ajuda no calorão?

Uma meta-análise de 19 estudos encontrou redução de cerca de 21% na frequência e 26% na intensidade dos calorões em comparação ao placebo. Mas a Sociedade Norte-Americana de Menopausa, em 2023, não recomendou soja nem suplementos para calorões.

Por que a menopausa enfraquece os ossos?

Com a queda do estrogênio, o corpo absorve menos cálcio e perde osso mais rápido. Por isso a necessidade de cálcio aumenta depois dos 50.

Creatina ajuda na menopausa?

Pode ajudar o músculo quando usada junto com treino de força. Para osso, um estudo brasileiro de 2 anos não encontrou benefício.

Referências

  1. NIH Office of Dietary Supplements — Calcium: Fact Sheet for Health Professionals
  2. Taku K et al., Menopause, 2012 — Extracted or synthesized soybean isoflavones reduce menopausal hot flash frequency and severity: systematic review and meta-analysis
  3. The North American Menopause Society, 2023 — The 2023 Nonhormone Therapy Position Statement (comunicado oficial)
  4. Sales LP et al., The Journals of Gerontology: Series A, 2020 — Creatine Supplementation (3 g/d) and Bone Health in Older Women
  5. NIH Office of Dietary Supplements — Vitamin B12: Fact Sheet for Health Professionals

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A H9 Pharma é a marca de suplementos alimentares do grupo H9, a mesma família da H9 Fórmula. Acesse o site oficial da H9 Pharma. Suplemento alimentar não é medicamento e não substitui o tratamento indicado pelo seu médico.

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