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Tomar um comprimido todo santo dia, sem esquecer nenhum, por anos. Parece simples. Na vida real, é uma das coisas mais difíceis da medicina. E foi exatamente esse problema que um remédio novo resolveu.
O lenacapavir é uma injeção aplicada só duas vezes por ano que previne a infecção pelo HIV. Num dos estudos, nenhuma das mulheres que recebeu o remédio se infectou. Ele foi aprovado pela FDA, nos Estados Unidos, em junho de 2025, e pela Anvisa, no Brasil, em 12 de janeiro de 2026.
O que foi aprovado
A PrEP (profilaxia pré-exposição) é o uso de remédio antes de uma possível exposição ao HIV, para não pegar o vírus. Ela já existia no Brasil em comprimido diário.
A novidade é a forma. O lenacapavir, da farmacêutica Gilead, é aplicado como injeção debaixo da pele da barriga, a cada 6 meses, por um profissional de saúde. No começo do tratamento também existe uma versão em comprimido.
Pela aprovação da Anvisa, o remédio é indicado para:
- adultos e adolescentes a partir de 12 anos;
- com pelo menos 35 kg;
- com risco de pegar HIV por via sexual;
- com teste de HIV negativo antes de começar.
Segundo o Portal Afya, no Brasil ele foi registrado com o nome comercial Sunlenca. Nos Estados Unidos, a versão para prevenção se chama Yeztugo.
Os estudos que impressionaram
Dois grandes estudos, publicados no New England Journal of Medicine em 2024, sustentaram a aprovação.
PURPOSE 1: cerca de 5.300 mulheres na África do Sul e em Uganda. No grupo que recebeu lenacapavir, nenhuma infecção pelo HIV. Nos grupos que tomaram PrEP em comprimido, foram 55 diagnósticos. O estudo foi interrompido antes do previsto porque o resultado foi melhor do que o esperado.
PURPOSE 2: cerca de 3.300 participantes de vários gêneros, em 88 centros de pesquisa em sete países, incluindo o Brasil. Foram 2 infecções no grupo do lenacapavir e 9 no grupo do comprimido.
Na prática, o lenacapavir protegeu mais do que o comprimido diário. E o motivo provável é simples: não depende de lembrar de tomar remédio todo dia.
Por que ele é chamado de revolucionário
A PrEP em comprimido funciona muito bem quando é tomada certinho. O problema é o "certinho". Esquecer, ter vergonha de guardar o remédio em casa, ter medo do julgamento: tudo isso derruba a proteção.
Com duas injeções por ano, esses obstáculos quase somem.
E tem a parte da ciência. O lenacapavir é de uma classe nova, chamada inibidor do capsídeo. Pense no capsídeo como a "casca" que protege o material genético do vírus. O HIV precisa montar e desmontar essa casca na hora certa para se multiplicar. O lenacapavir atrapalha esse processo em várias etapas.
Outra característica rara: ele fica no corpo por meses depois de aplicado. É isso que permite o intervalo tão longo. Explicamos como a forma de um remédio muda o jeito que ele age no texto sobre formas farmacêuticas.
Na época da aprovação americana, o diretor-executivo da Gilead chamou a data de "um dia histórico". Já Mitchell Warren, da organização AVAC, fez o lembrete mais importante: "o progresso científico só importa se a inovação realmente chegar às pessoas".
O que isso muda para você
Se você ou alguém próximo tem risco de exposição ao HIV, a notícia abre uma opção nova para conversar com o médico ou com o serviço de saúde.
Mas atenção a três pontos:
- Aprovação não é o mesmo que disponível. O registro na Anvisa é o primeiro passo. A chegada às farmácias e ao SUS depende de outras etapas, como definição de preço e incorporação pelo Ministério da Saúde.
- Precisa de teste antes. Quem já tem HIV e não sabe não pode usar a PrEP como tratamento.
- Não substitui a camisinha para outras infecções. O lenacapavir não protege contra sífilis, gonorreia, clamídia, hepatites e HPV.
- Conte tudo o que você usa. Remédios contínuos, chás e suplementos podem interagir com antirretrovirais, como mostramos no guia de suplemento e remédio juntos.
O que ainda não se sabe
- Preço e acesso. Segundo o ICTQ, a Gilead fez acordo com fabricantes de genéricos para 120 países, mas o Brasil não está entre eles. Como o remédio vai chegar à população brasileira ainda está em aberto.
- Uso por muitos anos. Os estudos acompanharam as pessoas por cerca de dois anos. O efeito a longo prazo segue em observação.
- Resistência. Quem se infecta usando qualquer PrEP precisa ser acompanhado de perto, para o vírus não ficar resistente ao remédio.
Resumo rápido
- Lenacapavir = PrEP com 2 injeções por ano.
- FDA aprovou em junho de 2025; Anvisa, em 12 de janeiro de 2026.
- PURPOSE 1: zero infecções entre mulheres que receberam o remédio.
- PURPOSE 2 (com participantes do Brasil): 2 infecções contra 9 no comprimido.
- Precisa de teste de HIV negativo antes. Não protege contra outras infecções sexuais.
- Aprovação não significa que já está no SUS.
Quando procurar um médico
- Se houve uma exposição de risco nas últimas 72 horas: procure um serviço de saúde na hora (existe a PEP, profilaxia pós-exposição).
- Febre, manchas no corpo e ínguas algumas semanas depois de uma exposição de risco.
- Para começar PrEP, em qualquer forma.
Perguntas frequentes
O que é o lenacapavir?
É um remédio contra o HIV que, aplicado como injeção debaixo da pele a cada 6 meses, serve para prevenção (PrEP). Ele foi aprovado pela FDA em junho de 2025 e pela Anvisa em 12 de janeiro de 2026.
O lenacapavir é uma vacina?
Não. Vacina ensina o corpo a se defender. O lenacapavir é um remédio que fica no corpo por meses e impede o vírus de se multiplicar. Por isso precisa ser reaplicado a cada 6 meses.
Quem pode usar o lenacapavir?
Pela aprovação da Anvisa, adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com pelo menos 35 kg, com risco de pegar HIV e com teste de HIV negativo antes de começar.
O lenacapavir protege contra outras infecções sexuais?
Não. Ele age só contra o HIV. Sífilis, gonorreia, clamídia e outras infecções continuam exigindo camisinha e exames.
Referências
Linha de suplementos H9 Pharma
A H9 Pharma é a marca de suplementos alimentares do grupo H9, a mesma família da H9 Fórmula. Conheça a H9 Pharma. Suplemento alimentar não é medicamento e não substitui o tratamento indicado pelo seu médico.


