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Falta de vitamina D: por que é tão comum no país do sol

Um país cheio de sol e, mesmo assim, muita gente com vitamina D baixa. Entenda por que isso acontece, quem tem mais risco e como ler o exame.

MAPor Dra. Maria Angélica B. VillelaFarmacêutica · CRF-MG 48.515 7 min de leitura Revisado por farmacêutico
Mulher de 55 anos caminhando ao ar livre
Mulher de 55 anos caminhando ao ar livre. Imagem ilustrativa.
Neste artigo · 8 tópicos
  1. Como o corpo faz vitamina D?
  2. Por que falta vitamina D mesmo com tanto sol?
  3. O que dizem os estudos brasileiros?
  4. Como ler o exame de vitamina D?
  5. Por que dose, forma e qualidade importam?
  6. Vitamina D em excesso faz mal?
  7. Resumo rápido
  8. Perguntas frequentes

"Mas eu moro no Brasil, pego sol todo dia." Ouço essa frase quase sempre que alguém volta do médico com o exame de vitamina D baixo. E a surpresa é justa: como pode faltar vitamina do sol num país de sol?

A falta de vitamina D é comum no Brasil porque o sol só vira vitamina D quando bate na pele, no horário certo, sem barreira, e o corpo ainda precisa estar apto a produzir. Uma meta-análise brasileira, com 72 estudos, encontrou cerca de 28% de deficiência e 45% de insuficiência de vitamina D na população estudada. Ou seja: ter sol no país não garante sol na pele.

Como o corpo faz vitamina D?

Pense na pele como uma pequena fábrica com painel solar. Quando os raios UVB batem nela, uma substância derivada do colesterol vira vitamina D. Depois, o fígado e os rins a transformam na forma que o corpo usa, inclusive para absorver o cálcio dos ossos.

O problema é que o painel solar tem muitos "desligadores".

Por que falta vitamina D mesmo com tanto sol?

1. A vida é dentro de casa

Trabalho em escritório, casa, carro, shopping. Muita gente passa a semana inteira sem expor braços e pernas ao sol do meio do dia.

2. Protetor solar e roupa

O NIH explica que protetores com FPS 8 ou mais parecem bloquear os raios que produzem vitamina D. Na prática, como as pessoas costumam passar menos protetor do que o indicado, alguma produção ainda acontece. Proteger a pele contra câncer continua sendo importante. Só que isso precisa entrar na conta.

3. A idade

Com os anos, a pele produz menos vitamina D com a mesma quantidade de sol. Por isso idosos são um dos grupos de maior risco. Na mulher, a menopausa soma outro fator para o osso, como explico em nutrientes na menopausa.

4. A cor da pele

A melanina, que dá cor à pele, reduz a capacidade de produzir vitamina D. Pessoas de pele mais escura precisam de mais tempo de sol para produzir a mesma quantidade.

5. Excesso de peso

Segundo o NIH, a obesidade não reduz a capacidade da pele de produzir vitamina D. Mas a gordura "guarda" parte da vitamina, e por isso pessoas com obesidade podem precisar de mais para chegar ao mesmo nível no sangue.

O que dizem os estudos brasileiros?

A meta-análise de Pereira-Santos e colaboradores, publicada na Critical Reviews in Food Science and Nutrition, reuniu 72 estudos brasileiros publicados entre 2000 e 2017. A prevalência combinada foi de 28,16% de deficiência e 45,26% de insuficiência de vitamina D. O título do trabalho já diz tudo: "uma população num país ensolarado".

Como ler o exame de vitamina D?

O exame mede a 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D. Em 2020, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) publicaram um posicionamento com estes valores:

Valor de 25(OH)D O que significa
Abaixo de 20 ng/mL Deficiência
20 a 60 ng/mL Adequado para a população geral até 65 anos
30 a 60 ng/mL Ideal para grupos de risco
Acima de 100 ng/mL Risco de intoxicação

Os grupos de risco citados são: idosos e pessoas que caem com frequência, quem fez cirurgia bariátrica, gestantes, quem usa remédios que interferem na vitamina D, pessoas com osteoporose, hiperparatireoidismo secundário ou osteomalácia, e pacientes com diabetes tipo 1, câncer, doença renal crônica ou problemas de absorção.

O mesmo documento diz que, até agora, não há benefício claro em manter a vitamina D acima de 60 ng/mL em nenhuma situação clínica. Mais não é melhor.

Por que dose, forma e qualidade importam?

Aqui mora o erro mais comum: tomar vitamina D "por conta", sem exame, sem saber quanto falta. O mecanismo é este: a vitamina D se acumula na gordura do corpo. Dose demais, por tempo demais, sobe o cálcio do sangue.

A forma também conta. Segundo o NIH, tanto a D2 quanto a D3 elevam a vitamina D no sangue, mas a D3 eleva mais e mantém o nível por mais tempo. E a qualidade do ativo importa: vitamina D é usada em quantidades muito pequenas, em microgramas, e um erro de pesagem faz diferença. Por isso a Anvisa exige controle mais rígido para fórmulas com doses muito baixas de ativo.

Se a sua receita tiver vitamina D em UI ou mcg e você não souber ler, veja como ler sua receita de manipulado.

Vitamina D em excesso faz mal?

Sim. O excesso causa hipercalcemia (cálcio alto no sangue). Os sintomas incluem náusea, vômito, fraqueza muscular, desidratação e pedra nos rins. Em casos graves, pode levar a problema renal e arritmia. Segundo o NIH, a intoxicação quase sempre vem do excesso de suplemento, não do sol.

O NIH também cita interações com orlistate, estatinas, corticoides e diuréticos tiazídicos.

Quando procurar um médico

  • Para pedir o exame, principalmente se você está em um grupo de risco.
  • Se tem dor óssea, fraqueza muscular ou quedas frequentes.
  • Se usa vitamina D e sente náusea, sede excessiva, urina muito ou tem cólica renal.

Vitamina D costuma vir junto de outros nutrientes na receita. Veja também tipos de magnésio e ômega 3: EPA, DHA e qualidade.

Resumo rápido

  • Sol no país não é sol na pele: rotina, protetor, idade, cor da pele e peso mudam tudo.
  • Meta-análise brasileira: cerca de 28% de deficiência e 45% de insuficiência.
  • Exame: abaixo de 20 ng/mL é deficiência; 30 a 60 ng/mL é o ideal para grupos de risco.
  • Acima de 100 ng/mL há risco de intoxicação.
  • D3 eleva mais e por mais tempo que D2.
  • Dose sempre orientada pelo exame e pelo prescritor.

Perguntas frequentes

Por que tanta gente tem falta de vitamina D no Brasil?

Porque a vitamina D depende de sol na pele no horário certo, e a vida moderna é dentro de casa, com protetor e roupa. Idade, pele mais escura e excesso de peso também reduzem os níveis.

Qual o valor normal de vitamina D no exame?

Pelo posicionamento da SBEM e da SBPC/ML de 2020, entre 20 e 60 ng/mL é adequado para a população geral, e entre 30 e 60 ng/mL é o ideal para grupos de risco, como idosos e gestantes.

Vitamina D em excesso faz mal?

Faz. O excesso pode aumentar o cálcio no sangue e causar náusea, vômito, fraqueza, pedra nos rins e, em casos graves, problemas no coração e nos rins. Acima de 100 ng/mL há risco de intoxicação.

Vitamina D2 e D3 são iguais?

As duas elevam a vitamina D no sangue, mas segundo o NIH a D3 eleva mais e mantém o nível por mais tempo.

Referências

  1. Pereira-Santos M et al., Critical Reviews in Food Science and Nutrition, 2019 — Epidemiology of vitamin D insufficiency and deficiency in a population in a sunny country: geospatial meta-analysis in Brazil
  2. Moreira CA et al., Archives of Endocrinology and Metabolism, 2020 — Reference values of 25-hydroxyvitamin D revisited: a position statement from SBEM and SBPC/ML
  3. NIH Office of Dietary Supplements, 2026 — Vitamin D: Fact Sheet for Health Professionals

Linha de suplementos H9 Pharma

A H9 Pharma é a marca de suplementos alimentares do grupo H9, a mesma família da H9 Fórmula. Veja os suplementos H9 Pharma. Suplemento alimentar não é medicamento e não substitui o tratamento indicado pelo seu médico.

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